quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

CONSUMISMO SOCIAL - ALGUMAS EXPLICAÇÕES

Se faz mister nos aventurarmos pela geografia e sociologia, para tomarmos a ciência de um fenômeno que grassa na sociedade Brasileira. Independente de expressões generalizantes, que rotulam  países como desenvolvimento ou países desenvolvidos, é certo que há uma ligação direta entre os mesmos. Qual é o nível da independência do menos desenvolvido para com o mais desenvolvido? Em que a potência de um, interfere diretamente na permanência do outro neste estado de inferioridade, chamado de subdesenvolvimento, ou, mais atualmente, chamado países em desenvolvimento?

Vale a pena reforçar a ideia de países desenvolvidos e países em desenvolvimento, para iniciarmos a nossa crítica construtiva. Façamos um quadro comparativo:

O sistema predominante que comanda a economia mundial é o Capitalismo. A ciência econômica deste, amiúde, baseia-se nos fatores: Produção e Consumo para determinar em qual "bloco" pertencerão o país. (ressalto que esta é uma das formas de avaliar, sendo que - alimentação, saúde, educação, dependência financeira, tecnologia etc. também são indicadores).
Com este dado exposto, podemos comparar dois países subdesenvolvidos(ou em desenvolvimento):

O Brasil (América do Sul) é um país industrializado. Mali (África) ainda não é um país industrial. No entanto, ambos são classificados como países em desenvolvimento - estão no mesmo bloco, mas em posições diferentes (famoso ranking do menos pior). Além da comparação a respeito da industrialização, é  inegável a disparidade nas questões socioeconômicas entre eles, bem como o desenvolvimento científico e tecnológico. Já que o educacional não podemos entrar muito em detalhes, já que o Brasil está longe de ser um exemplo.

Deveras o Brasil esta em um nível superior em relação a Mali, porém, os problemas que agravam a situação destes dois países, também são realidade nos países Desenvolvidos. Contudo, a força monetária que eles (países desenvolvidos) ostentam, a exemplo EUA e Países membros da união Europeia -  torna-os, de certa forma, privilegiados e estáveis internamente. Sem contar que os índices de corrupção por parte dos seus governantes (desvio de verba da educação, saúde, combate a pobreza) é um diferencial importante para manterem-nos em franco progresso. Tais realidades os colocam no palco do cenário mundial como "Ditadores da Economia e seus Valores".

As empresas multinacionais (transnacionais) pertencentes a quaisquer que sejam os setores de produção e venda, ganham maior notoriedade nos países em desenvolvimento. Sua relação intrínseca ao capitalismo, e a sua ligação direta com as grandes nações (matrizes das filiais no estrangeiro), colabora com o processo de Alienação Cultural, - no qual o consumidor conquista um pseudo-status-poder ao adquirir certo produto de uma loja "x" que vende a marca "y". É a famosa Rotulação. Como se o ser humano perdesse a sua cultura pátria, passando a se comportar e vestir, de acordo com o status-poder gerado pela ostentação de determinada marca/produto.  Podemos denominar isto de Processo de Aculturação condicionada pelo meio.

A máquina capitalista avança demasiadamente,  e quanto mais se produz, mais se consome, e mais se vende e mais se lucra. Lucro este que não é repassado para o ambiente econômico do país subdesenvolvido que comporta tais empresas de prazeres estrangeiros. Mas trata-se de uma mera exploração da mão-de-obra nacional barata, para a produção e venda, para os mesmos que produzem, cujo lucro é totalmente agregado aos senhores do engenho dos países desenvolvidos.

 As empresas competem, incessantemente, entre si, em busca dos consumidores, e incentivam a compra através de "novas manias sociais" – famosas “modinhas” - que ganham o devido espaço na sociedade, graças a intensa e massificada propaganda pro consumo. E neste ritmo frenético, a cada dia aumenta o número de adeptos ao sistema Ditado pelas grandes potências internacionais, que exploram o nosso país, ludibriando a mente fraca dos consumidores através da criação massificada de ídolos, gerando um fenômeno quase irreversível, muito parecido com a escravização - que se alastra em nosso meio social em liberdade. Talvez se todos tivessem uma educação qualificada, capaz de distinguir o que lhe é necessário, e o que lhe é superficial (famoso império do efêmero) – certamente a realidade econômica-social estaria caminhando com passos mais rijos - neste solo usurpado!   


Portanto, esta mais que comprovado que o consumo das mercadorias que circundam (em maioria supérfluas)  representam prestígio, ou Status, para quem as compram. E este fato decorre dos VALORES estabelecidos por um sistema que procura, por todos os meios, fazer-nos crer que: "TER" no sentido de possuir bens, é mais importante do que "SER" – ou seja – a nossa representação como pessoas racionais que se limitam ao necessário, e se apraz com o prazer suficiente para a diversão em hora certa.

Em resumo, a máquina capitalista que rege a sociedade de consumo. E esta insiste em ditar que: a pessoa que adquire determinado produto (roupas de marcas famosas, carros luxuosos, moradias em zonas privilegiadas) É UMA PESSOA DE SUCESSO! – eis a palavra chave para atrair a nascente classe média que almeja desfrutar de todos os prazeres que a frágil estabilidade econômica, podem lhes garantir.

O que não é bem verdade. Afinal -  Os indígenas, a exemplo, vivem em uma organização social totalmente diferente  do nosso sistema (isto é, digo os indígenas verdadeiros. Silvícolas. Primitivos. Não aqueles que assistimos na TV falando português refinado, andando de Hillux e brigando pelo “direito” de venderem os créditos de carbono rs..). Enfim, Para eles, os verdadeiros indígenas, nada disso que vivemos faz sentido. Claro – entendo que seja muito forte comparar a sociedade atual, com a indígena. Mas quero expor que , eles, apesar de não serem manipulados por esse sistema da sociedade de consumo, ainda, assim, possuem suas necessidades básicas, tais como: alimentar-se, cuidar da saúde, manter sua cultura (educação), sua unidade familiar e comunitária.

No meio deles, não há a ostentação pelo consumo, e nem os desperdícios de produtos - fato que é muito contrário da nossa realidade. Nós (a maioria, ao menos) não conseguimos evoluir apenas com as necessidades básicas, e buscar o real sentido de SER e não apenas APARENTAR SER algo, ou alguma coisa. De fato acabamos nos Coisificando, quando envoltos por luxos e extravagâncias.

É claro que essas comunidades indígenas, ou demais que assumam tais características citadas, são consideradas subdesenvolvidas pelo sistema capitalista, que visa grande produção massificada de produtos de consumo, visando atingir o íntimo de determinados grupos – que acabam por se render a esta ostentação gerada pelos bens adquiridos, tornando esta aparência coletiva a sua Identidade Cultural.

Cabe a nós fazermos a seguinte reflexão, a respeito destas imposições de valores: Será que o conceito de país Desenvolvido e Subdesenvolvido, e as regras que qualificam um Estado em um, ou em outro bloco, necessitariam ser reavaliadas? Se por acaso estamos sendo escravizados, não seríamos nós quem estaria nos prendendo as correntes do consumismo?

Talvez devêssemos analisar as reais necessidades básicas que carecem os países em desenvolvimento. Quais sejam as fundamentais e conhecidas, como Educação, Saúde, Segurança, infraestrutura, incentivo em pesquisa e tecnologia, etc .. etc.. Compreenderíamos o nosso núcleo a partir daquilo que realmente nos falta. Aquilo que nos é imprescindível. Valores que nós mesmos fizemos questão de apagar da nossa raiz Cultural.

O nosso dom de enxergar e sentir, e não apenas imaginar estar num estado de bem-estar social.


Portanto, deixo aos caros leitores, uma dica pessoal:


Consumir é legal! - Mas devemos ser prudentes. Devemos pensar, de maneira geral, naquilo em que adquirimos, e avaliar se realmente nos era necessário, ou superficial. É difícil falar sobre relações de consumo e sociedade, mas devemos nos esforçar para tentar compreender este fenômeno e domina-lo da melhor maneira.

Olhar com os olhos da prudência, e questionar-se: Estou desperdiçando dinheiro? Porque devo comprar isso? - Pensem no coletivo, pense pela sociedade. E não apenas no seu egoísmo. Não permitam que esses valores viciosos e midiáticos, corrompam o que você deve ser como pessoa. Transforme a nossa sociedade mudando os seus conceitos pessoais de vida. Aprenda e valorize o verdadeiro significado da palavra: VALORES.


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